Conteúdo colaborativo
Colaboração é a palavra-chave da comunicação hoje. Não se trata de uma opção, mas de uma necessidade. E é um conceito que está ligado diretamente à sobrevivência das empresas, diante das mudanças observadas no comportamento e no papel dos consumidores. A colaboração leva os que antes apenas consumiam a participar do processo de produção, o que também influencia a maneira de se fazer marketing.
Qual a origem da colaboração? Ela sempre permeou as relações humanas. Pode ser intencional, visando um determinado resultado, ou ser independente da busca por um retorno. Também sempre fez parte da sociedade a necessidade de se manifestar, de se expressar. Conforme afirmou Carlos Nepomuceno - jornalista, consultor e professor da UFRJ, Facha e Senac - em evento promovido pelo site Nós da Comunicação na última sexta-feira, 9 de outubro, na ESPM do Rio de Janeiro, “a maior rede social que já existiu é a academia, que veio em seguida ao livro impresso”. De certa forma, os conceitos de “link” e “retweet” já existiam em outras épocas, através das sempre presentes citações. As pessoas se reuniam para debater na universidade, e com isso levantaram questionamentos, provocaram mudanças, derrubaram governos. Isso era colaboração.
O especialista relembrou as diversas formas de comunicação que marcaram a história, destacando as rupturas do oral para o escrito e do escrito para o digital e a intensificação da colaboração nesta era 2.0. Uma maior possibilidade de troca de ideias, um acesso maior às mídias, com camadas diversas da sociedade acessando novas ideias: isso seria a base para o início de uma revolução social. E onde entram as empresas nesse processo? O que muda para elas?
Estar no meio dessas mudanças exige um novo posicionamento, um novo modo de pensar. Essa transformação precisa ser autêntica, envolvendo a essência das corporações, ou não terá efeito algum. Ao relatar a principal dificuldade que encontra ao prestar consultoria para empresas, Nepomuceno afirma que percebe uma resistência em relação ao poder, à possibilidade de perda da hierarquia. Na verdade, não é isso que um ambiente mais digital gera. Talvez origine mudanças nessa hierarquia, mas não ameaça o lucro das corporações de forma alguma. É justamente o oposto que o cenário promete: se elas souberem aproveitar a inserção dos consumidores no processo de produção, podem lucrar ainda mais, criando produtos alinhados com as expectativas dos clientes.
“Comunicação não é informação, é relacionamento, é troca. Relacionamento é criar vínculos”, lembrou Jaíra Reis, diretora de Relacionamento com o Mercado do Nós da Comunicação. “As empresas também devem criar vínculos com seus clientes”, complementou. Para que esse relacionamento evolua a tal ponto, as companhias precisam estar abertas a criar esses vínculos e pensar em como farão isso, planejando o uso das redes sociais, avaliando como será essa estratégia, o que pode oferecer de positivo, quais os riscos. Independemente de quais redes a empresa escolha utilizar e como, o fundamental é ser transparente ao se posicionar na Web 2.0. Os consumidores, hoje, não mais admitem – e cada vez admitirão menos – a enrolação, a mentira. Eles são bem informados, articulados, organizados. Comunicam-se, conversam sobre produtos e serviços de que gostam e não gostam, falam de qualidade e de preços. E é com eles que está o verdadeiro poder.
*O texto foi escrito por Camila Leporace, jornalista com foco em desenvolvimento de conteúdo para websites e pós-graduada em Marketing Digital.
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